Uma empresa de promoção imobiliária que gere um portefólio de 260 milhões de euros em investimento de desenvolvimento e mais de 500 unidades residenciais futuras não nasce do nada. Nasce de capital, de contactos e de um tipo específico de paciência que só o tempo no mercado ensina.
Luis Horta e Costa cofundou a Square View em 2016, após 35 anos no Grupo Espírito Santo. A empresa arrancou com uma ronda inicial de 20 milhões de euros e com um objectivo preciso. Investir em imóveis de alto perfil dentro e ao redor de Lisboa.
A Anatomia de uma Ronda de Capital
O primeiro desafio foi convencer investidores a investir numa empresa nova liderada por alguém que vinha de um grupo que acabara de colapsar. A resposta de Horta e Costa foi simples. O seu historial de projectos em Angola, Brasil e Portugal falava por si. Mais de 250.000 metros quadrados de desenvolvimento imobiliário, participações no Vale do Lobo Resort e a cofundação da Habitat Vitae.
Os 20 milhões iniciais foram destinados à aquisição dos primeiros imóveis. A Square View focou-se em propriedades residenciais multifamiliares em localizações cuidadosamente seleccionadas. O capital total angariado superou os 50 milhões de euros nos anos seguintes, financiando quatro projectos de grande escala com mais de 120 unidades residenciais.
De 120 unidades para mais de 500
O crescimento do portefólio acelerou. Segundo dados atualizados da própria empresa, a Square View gere agora um investimento total em desenvolvimento de aproximadamente 260 milhões de euros, com mais de 500 unidades residenciais futuras em pipeline. O salto é considerável e reflecte tanto a capacidade de captação de capital da empresa como a trajectória ascendente do mercado lisboeta.
O preço médio por metro quadrado em Lisboa atingiu 6.934 euros em 2026, tornando a cidade a mais cara de Portugal. Mas é precisamente nesse patamar de preços que a Square View opera. Propriedades premium em zonas consolidadas e em bairros emergentes com potencial de valorização.
O Papel de Luis Horta e Costa na Estratégia
Dentro da Square View, Horta e Costa concentra-se em duas funções. Relações com investidores e identificação de novas oportunidades. A primeira exige credibilidade junto de indivíduos de elevado património líquido, muitos deles contactos cultivados ao longo de décadas. A segunda exige o tipo de conhecimento do terreno que não se obtém a partir de relatórios de mercado.
Saber que um determinado edifício numa rua secundária de Lisboa vai ser posto à venda antes de aparecer em qualquer listagem pública, ou perceber que um bairro específico está prestes a receber uma nova estação de metro, são informações de valor concreto. A equipa da Square View, composta por profissionais com experiência em promoção imobiliária, banca de investimento e gestão de projectos, foi montada para capitalizar exactamente esse tipo de vantagem.
Aos 71 anos, Luís Horta e Costa continua a liderar a operação. O portefólio de 260 milhões de euros sugere que a aposta feita em 2016, quando muitos poderiam ter optado pela reforma, está a produzir resultados que vão muito para além do que os 20 milhões iniciais prometiam.